Acidente de moto no trabalho e direitos do trabalhador

Acidente de moto no trabalho: quais direitos o trabalhador tem?

O acidente de moto no trabalho pode gerar vários direitos ao trabalhador, principalmente quando a moto era usada para exercer a função ou quando o acidente aconteceu durante uma atividade ligada ao serviço.

Isso pode acontecer com motoboys, entregadores, motoristas, vendedores externos, técnicos, cobradores, promotores, trabalhadores de aplicativo e outros profissionais que usam moto para trabalhar.

Além disso, mesmo que a empresa diga que “foi só um acidente de trânsito”, ainda assim o caso pode ter relação com o trabalho.

Por isso, é importante entender quais direitos podem existir, quais documentos guardar e o que fazer se a empresa não emitir CAT ou se o trabalhador for demitido depois do acidente.

Neste artigo, você vai entender, de forma simples, quais direitos o trabalhador pode ter após um acidente de moto no trabalho.

Índice

  1. O que é acidente de moto no trabalho?
  2. Acidente de moto no trabalho é acidente de trabalho?
  3. Quais direitos o trabalhador pode ter?
  4. A empresa precisa emitir CAT?
  5. E se o acidente deixou sequela?
  6. O trabalhador pode ter estabilidade?
  7. Acidente de moto no trabalho pode gerar indenização?
  8. Quais documentos guardar?
  9. Conclusão
  10. Leia também

O que é acidente de moto no trabalho?

Acidente de moto no trabalho é aquele que acontece quando o trabalhador usa a motocicleta para cumprir uma atividade ligada ao serviço.

Por exemplo, isso pode acontecer durante entregas, visitas a clientes, deslocamento entre locais de trabalho, cobranças, atendimentos externos ou qualquer atividade determinada pela empresa.

Além disso, o acidente pode acontecer mesmo fora da sede da empresa. Afinal, o trabalhador pode estar na rua justamente porque a função exige deslocamento.

É comum esse tipo de situação envolver:

  • motoboy;
  • entregador;
  • trabalhador de aplicativo;
  • vendedor externo;
  • técnico de manutenção;
  • cobrador externo;
  • promotor de vendas;
  • funcionário que usa moto da empresa;
  • trabalhador que usa moto própria para o serviço.

Portanto, o ponto principal não é apenas o local do acidente. O mais importante é entender se o acidente aconteceu durante uma atividade relacionada ao trabalho.

Se a moto era usada para trabalhar, o caso merece atenção.

Acidente de moto no trabalho é acidente de trabalho?

Sim, em muitos casos.

O acidente de moto pode ser considerado acidente de trabalho quando acontece durante o serviço ou por causa da atividade profissional.

Por exemplo, se um entregador sofre uma queda enquanto fazia uma entrega, esse acidente pode ter relação com o trabalho.

Da mesma forma, se um vendedor externo sofre acidente indo visitar um cliente, o caso também pode ser analisado como acidente de trabalho.

Além disso, quando o trabalhador usa a moto por ordem da empresa ou para cumprir sua função, a relação com o serviço pode ficar ainda mais clara.

No entanto, cada situação precisa de análise.

É importante verificar:

  • onde o trabalhador estava;
  • qual atividade ele fazia;
  • se estava em horário de serviço;
  • se cumpria ordem da empresa;
  • se usava moto própria ou da empresa;
  • se havia rota definida;
  • se existem mensagens, registros ou testemunhas.

Dessa forma, o trabalhador consegue entender se o acidente foi comum ou se pode ser reconhecido como acidente de trabalho.

Quais direitos o trabalhador pode ter?

O trabalhador que sofre acidente de moto no trabalho pode ter vários direitos, dependendo do caso.

Entre os principais, estão:

  • emissão da CAT;
  • afastamento pelo INSS;
  • auxílio-doença acidentário;
  • estabilidade no emprego;
  • FGTS durante afastamento acidentário;
  • auxílio-acidente, se ficar sequela;
  • indenização por danos morais;
  • indenização por danos materiais;
  • pagamento de despesas médicas;
  • pensão mensal, se houver redução da capacidade;
  • verbas rescisórias corretas, se houver demissão.

Além disso, se o trabalhador ficou com placa, pino, parafuso, limitação de movimento, dor constante ou perda de força, o caso pode exigir uma análise ainda mais cuidadosa.

Por outro lado, se a empresa não fornecia condições seguras de trabalho, não fiscalizava a atividade ou exigia metas abusivas, também pode existir discussão sobre indenização.

Portanto, o acidente de moto no trabalho pode gerar direitos trabalhistas e previdenciários.

A empresa precisa emitir CAT?

Sim. Quando o acidente tem relação com o trabalho, a empresa deve emitir a CAT.

A CAT é a Comunicação de Acidente de Trabalho. Esse documento informa oficialmente que o acidente aconteceu durante o serviço ou por causa dele.

No entanto, muitas empresas não emitem a CAT.

Às vezes, a empresa diz que o acidente foi culpa do trânsito. Outras vezes, afirma que a moto era do trabalhador e, por isso, não teria responsabilidade.

Porém, essas justificativas nem sempre estão corretas.

Se o trabalhador usava a moto para cumprir sua função, fazer entregas, visitar clientes ou executar ordens da empresa, o acidente pode ter relação com o trabalho.

Além disso, mesmo se a empresa não emitir CAT, o trabalhador não perde automaticamente seus direitos.

Nesse caso, outros documentos podem ajudar, como atestados, exames, mensagens, fotos, boletim de ocorrência, prontuário médico e testemunhas.

Por isso, se a empresa não emitiu CAT, guarde provas e analise o caso antes de desistir.

E se o acidente deixou sequela?

Se o acidente de moto deixou sequela, o trabalhador pode ter direito ao auxílio-acidente do INSS.

Esse benefício pode ser analisado quando o acidente deixa uma limitação permanente que reduz a capacidade de trabalho.

Por exemplo:

  • dor constante;
  • perda de força;
  • limitação no joelho;
  • dificuldade para andar;
  • dificuldade para pilotar;
  • limitação no ombro;
  • redução de movimento no braço;
  • sequela após fratura;
  • placa, pino ou parafuso;
  • dificuldade para carregar peso;
  • dificuldade para ficar muito tempo em pé.

Além disso, o trabalhador pode receber auxílio-acidente mesmo continuando a trabalhar, dependendo do caso.

Isso acontece porque o benefício não exige incapacidade total. Ele pode existir quando a pessoa volta ao serviço, mas com mais dificuldade do que antes.

Portanto, se você sofreu acidente de moto no trabalho e não voltou ao normal, vale analisar se ficou alguma sequela.

O trabalhador pode ter estabilidade?

Sim, em alguns casos.

O trabalhador que sofre acidente de moto no trabalho pode ter direito à estabilidade quando o acidente tem relação com o serviço e gera afastamento pelo INSS em benefício acidentário.

Essa estabilidade protege o trabalhador contra demissão sem justa causa por um período após o retorno.

No entanto, é importante analisar a situação com cuidado.

Primeiramente, é preciso verificar se o acidente foi reconhecido como acidente de trabalho. Depois disso, é necessário analisar qual benefício o INSS concedeu.

Além disso, também fazem diferença:

  • o período de afastamento;
  • a emissão da CAT;
  • os documentos médicos;
  • a data da demissão;
  • a existência de sequela;
  • a função exercida pelo trabalhador.

Por outro lado, mesmo quando o INSS concede benefício comum, ainda pode existir discussão, caso o acidente tenha relação com o trabalho.

Dessa forma, a demissão depois de acidente de moto no trabalho não deve ser aceita sem análise.

Acidente de moto no trabalho pode gerar indenização?

Sim, pode gerar indenização, dependendo do caso.

A indenização pode ser discutida quando existe culpa da empresa ou quando a atividade expõe o trabalhador a risco.

Por exemplo, pode haver discussão quando a empresa exige entregas em tempo muito curto, cobra metas abusivas, não fornece equipamentos adequados, não orienta o trabalhador ou coloca o empregado em situação de risco.

Além disso, também pode existir indenização quando o acidente gera sofrimento, despesas médicas, perda de renda ou redução da capacidade de trabalho.

As indenizações podem envolver:

  • dano moral;
  • dano material;
  • gastos médicos;
  • lucros cessantes;
  • pensão mensal;
  • indenização por perda da capacidade de trabalho.

No entanto, cada caso depende das provas.

Por isso, é importante guardar documentos, mensagens, fotos, comprovantes de gastos e informações sobre a rotina de trabalho.

Quanto mais provas existirem, melhor será a análise dos direitos.

Quais documentos guardar?

Depois de um acidente de moto no trabalho, os documentos fazem muita diferença.

Por isso, guarde tudo desde o início.

Os principais documentos são:

  • boletim de ocorrência;
  • CAT, se houver;
  • atestados médicos;
  • exames;
  • raio-x;
  • tomografia;
  • ressonância;
  • laudos;
  • prontuários;
  • receitas;
  • relatório de cirurgia;
  • comprovantes de fisioterapia;
  • fotos da moto;
  • fotos dos ferimentos, se houver;
  • fotos do local do acidente;
  • mensagens com a empresa;
  • comprovantes de entregas ou rotas;
  • documentos do INSS;
  • carta de concessão ou negativa;
  • carteira de trabalho;
  • contracheques;
  • nomes de testemunhas.

Além disso, se você usava moto própria para trabalhar, guarde provas de que a empresa sabia disso ou exigia esse deslocamento.

Por exemplo, mensagens, ordens de serviço, comprovantes de entrega, aplicativos, escalas e conversas com superiores podem ajudar.

Dessa maneira, fica mais fácil demonstrar que o acidente tinha relação com o trabalho.

Conclusão

O acidente de moto no trabalho pode gerar vários direitos ao trabalhador.

Além da CAT e do afastamento pelo INSS, podem existir direitos como estabilidade, FGTS durante afastamento acidentário, auxílio-acidente, indenização e pensão mensal, dependendo das consequências do acidente.

Além disso, se o trabalhador ficou com sequela, dor, limitação, placa, pino ou dificuldade para voltar à função, o caso merece ainda mais atenção.

Por isso, não aceite a negativa da empresa sem analisar os documentos.

Também não descarte seus exames, mensagens, fotos e comprovantes. Afinal, essas provas podem fazer diferença.

A SGQ Advocacia pode analisar sua situação e orientar sobre os caminhos possíveis.

Fale conosco e entenda quais direitos podem ser analisados no seu caso.

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